Ouro despenca ao menor nível em sete meses após escalada militar entre EUA e Irã

O mercado internacional de metais preciosos registrou forte volatilidade nesta quarta-feira, com o ouro encerrando o pregão em queda acentuada e atingindo seu menor patamar desde novembro de 2025. A desvalorização ocorreu em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, após uma nova rodada de confrontos entre os Estados Unidos e o Irã, além da divulgação de indicadores econômicos que influenciam as expectativas sobre a política monetária norte-americana.

Na divisão de metais da Bolsa Mercantil de Nova York (Comex), o contrato de ouro para entrega em agosto fechou o dia com recuo de 3,6%, cotado a US$ 4.133,3 por onça-troy. Já a prata para julho também apresentou perdas, encerrando a sessão com queda de 0,8%, negociada a US$ 64,740 por onça-troy.

Ao longo da manhã, os investidores acompanharam os desdobramentos das operações militares realizadas pelos Estados Unidos contra alvos iranianos na noite anterior. O cenário de incerteza ganhou novos contornos durante a tarde, quando declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sinalizaram a possibilidade de continuidade das ações militares na região.

A perspectiva de novos ataques elevou o grau de preocupação nos mercados globais e reforçou a cautela dos investidores diante de um possível agravamento do conflito. Apesar de o ouro ser tradicionalmente considerado um ativo de proteção em períodos de instabilidade internacional, outros fatores econômicos influenciaram fortemente o comportamento das cotações nesta sessão.

Entre eles, destacam-se os dados recentes da inflação dos Estados Unidos, que seguem sendo observados atentamente por analistas e agentes financeiros. Os indicadores são considerados fundamentais para as próximas decisões do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, sobre a trajetória das taxas de juros da maior economia do mundo.

Quando aumentam as expectativas de manutenção ou elevação dos juros, ativos que não oferecem rendimento, como o ouro, tendem a perder atratividade em relação a investimentos de renda fixa. Esse movimento pode pressionar os preços do metal, mesmo em períodos de elevada tensão geopolítica.

Durante o pregão, o ouro chegou a atingir a mínima de US$ 4.129,6 por onça-troy, ampliando as perdas observadas desde as primeiras horas do dia. O resultado reforça a forte sensibilidade do mercado às notícias relacionadas tanto ao cenário internacional quanto às perspectivas econômicas dos Estados Unidos.

Especialistas destacam que o comportamento recente dos metais preciosos demonstra a complexidade do atual ambiente financeiro global. Ao mesmo tempo em que conflitos internacionais costumam estimular a procura por ativos considerados seguros, fatores como inflação, juros e desempenho da economia norte-americana podem exercer influência ainda maior sobre os preços.

Com os investidores monitorando atentamente os próximos movimentos diplomáticos e militares entre Washington e Teerã, o mercado deve continuar sujeito a oscilações significativas nos próximos dias. A evolução do conflito, bem como futuras sinalizações do Federal Reserve, poderá determinar a direção dos metais preciosos e de outros ativos financeiros ao redor do mundo.

Enquanto isso, o ouro encerra a sessão acumulando uma das maiores quedas recentes, refletindo um cenário marcado pela combinação de riscos geopolíticos e incertezas econômicas globais.

REVISTA NEGÓCIO