Concentração sem precedentes: riqueza dos bilionários dispara e aprofunda desigualdades globais

O mundo atravessa um momento histórico marcado por uma concentração de riqueza sem precedentes. Pela primeira vez, o planeta ultrapassou a marca de 3 mil bilionários, um grupo que, somado, acumula cerca de US$ 18,3 trilhões. O crescimento dessa fortuna coletiva tem ocorrido em ritmo acelerado e muito acima das médias históricas, aprofundando o abismo entre os mais ricos e a maioria da população mundial.

A expansão patrimonial desse seleto grupo ganhou força especial após o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Desde a eleição do republicano até o fim do período analisado, a riqueza dos bilionários avançou 16,2%, um desempenho três vezes superior à média anual registrada nos cinco anos anteriores. Em valores absolutos, trata-se de um salto de aproximadamente US$ 2,5 trilhões em apenas um ano.

O montante impressiona não apenas pelo volume, mas pelo contraste social que evidencia. Segundo estimativas internacionais, esse crescimento isolado de riqueza seria suficiente para erradicar a pobreza extrema no mundo por dezenas de vezes. Ao mesmo tempo, a realidade global aponta para um cenário preocupante: uma em cada quatro pessoas enfrenta algum nível de insegurança alimentar, incluindo situações de fome crônica e acesso limitado a alimentos básicos.

Os dados constam de um relatório divulgado pela Oxfam, que analisa o impacto político e econômico do avanço das grandes fortunas. O documento destaca que a concentração acelerada de riqueza não é fruto apenas de dinâmicas de mercado, mas está diretamente ligada a decisões políticas adotadas por governos centrais da economia global, em especial pelos Estados Unidos.

De acordo com a análise, a atual administração norte-americana tem promovido uma agenda considerada amplamente favorável aos super-ricos. Entre as principais medidas apontadas estão a redução de impostos sobre grandes fortunas, o enfraquecimento de mecanismos de tributação de grandes empresas e multinacionais, além da diminuição dos esforços para combater práticas monopolistas. O incentivo à desregulamentação de setores estratégicos também aparece como um fator determinante para o rápido acúmulo de capital no topo da pirâmide econômica.

Especialistas em desigualdade social alertam que esse modelo aprofunda distorções estruturais e compromete políticas públicas essenciais. A menor arrecadação de impostos sobre grandes patrimônios reduz a capacidade dos Estados de investir em saúde, educação, combate à fome e adaptação às mudanças climáticas, justamente em um momento em que essas áreas exigem respostas urgentes e coordenadas.

O relatório também chama atenção para o poder político crescente dos bilionários, que passam a exercer influência direta sobre decisões governamentais, moldando leis e regulações de acordo com seus interesses econômicos. Esse cenário, segundo a Oxfam, ameaça princípios democráticos ao concentrar poder econômico e político em um grupo cada vez mais restrito.

Enquanto a riqueza global se acumula em ritmo recorde nas mãos de poucos, a maioria da população mundial segue enfrentando desafios básicos de sobrevivência. O contraste expõe um debate central do século XXI: até que ponto o crescimento econômico pode ser considerado bem-sucedido quando não se traduz em melhoria das condições de vida da população como um todo. A resposta a essa pergunta tende a definir não apenas políticas econômicas futuras, mas também o equilíbrio social e político das próximas décadas.